quinta-feira, 29 de abril de 2010
Somos livres?
Acreditamos que somos livres para escolher, mas estamos sujeitos às consequências de cada renúncia.
Viva o Rock'n roll !
Encontrei um roqueiro. Daquelas espécies raras que tem um rock conceitual na veia. Consciência ativa, lúcida, sem drogas alucinógenas.
Estou um pouco saturado de tantos jogos de interesses. É empobrecedor ver que muitos se sucumbem à limitada necessidade de segurança a qualquer custo.
Não faz muito tempo, assistimos a políticos que roubam descaradamente, a crimes sem punição, a guerra entre cidadãos comuns.
Não parece existir Deus, embora milhões de pessoas façam procissões televisivas ou ocupem bancos de inúmeros templos a procura de algo que não encontram nem mesmo dentro de si.
Sinto falta dos roqueiros que gritam por um mundo mais solidário, menos bitolado em questõezinhas de quinta categoria.
Não se fazem roqueiros como os de antigamente.
Bolo de festa
Apesar do frio, chamamos um táxi e seguimos para uma festa de aniversário.
O motorista entrou no clima e contou estórias divertidas. Sábado continua a ser o melhor dia da semana.
Som alto, pessoas sorridentes separadas em subgrupos. Algumas câmeras digitais registrando aleatoriamente momentos que poderão ser revisitados posteriormente. Dançarinos que competem espaço em performances extraordinárias.
Circulando no evento, pude ouvir estórias de alguns anônimos. A moça que ouve músicas de Jhon Lenon em uma fita cassete deixada por sua mãe, como herança. O menino que torce pelo Fluminense e se satisfaz proclamando em voz alta o nome de todo o time e últimos jogos. A senhora que conta a estória da filha que casou recentemente, mas mantém a vida de solteira. Casais que comemoram o romance, mesmo que o gênero musical esteja aquém do que se espera uma bela história de amor.
Mundos diferentes se encontram para comemorar o aniversário e, quem sabe, com um pouco mais de sorte, estabelecerem novos vínculos que possam colocar um novo tempero no tão severo dia-a-dia.
Mundos diferentes se encontram para comemorar o aniversário e, quem sabe, com um pouco mais de sorte, estabelecerem novos vínculos que possam colocar um novo tempero no tão severo dia-a-dia.
Produção decadente
anotações no bloco: 23 de dezembro de 2009.
21:41 horas. Agora mais essa: inventar novas versões para a velha cantiga do Papai Noel.
Loucuras da última década. Qualquer música de sucesso vira forró, xote, tecnobrega, independente do que a letra possa vir a transmitir.21:41 horas. Agora mais essa: inventar novas versões para a velha cantiga do Papai Noel.
De repente, composições primorosas tornaram-se mercadorias descartáveis, moeda de consumo fácil, onde mais vale o domínio das massas que o estímulo ao senso crítico.
Nem mesmo o Papai Noel safou-se de ressurgir num carro alegórico sem noção com o seu saco de presentes inúteis em qualquer data festiva, envolvido no efusivo axé music ou mesmo eletrizante e inconfundível funk.
O famintos vestidos de ouro
Meu pai dizia que a fome é remediável, a miséria não.
Não entendi a colocação daquele homem adulto.
Em palavras simples, explicou que a fome pode ser resultante de um prato sem comida por inúmeras circunstâncias.
Já a miséria era um fator cruel, humano, originada do ato da não divisão do pouco ou mesmo do muito que se tem.
A vida me fez entender o que ele falava e o quanto estava certo.
A vida me fez entender o que ele falava e o quanto estava certo.
Momentos AVC
Hoje fazem 33 dias de AVC.
Podemos perceber a evolução do tratamento com o uso de medicamentos e fisioterapia.
Encontramos uma jovem num consultório. Há três anos com AVC. Foi atingida no lado direito.
Triste.
O taxista nos disse que por pouco também não foi atingido pelo derrame. O médico sugeriu uma mudança na rotina. Menos compromissos, menos estresses.
A teoria dos hippies deveria ser a prática dos mais sensatos. Por uma questão de saúde.
Podemos perceber a evolução do tratamento com o uso de medicamentos e fisioterapia.
Encontramos uma jovem num consultório. Há três anos com AVC. Foi atingida no lado direito.
Triste.
O taxista nos disse que por pouco também não foi atingido pelo derrame. O médico sugeriu uma mudança na rotina. Menos compromissos, menos estresses.
A teoria dos hippies deveria ser a prática dos mais sensatos. Por uma questão de saúde.
A lição do AVC
anotações no bloco: 26 de março de 2010.
Lembro ter visto a minha mãe com dificuldade de levar uma garfada à boca. Achei estranho e comentei alguma coisa. Ela saiu em silêncio e foi para o quarto.
As notícias ruins caíram no meio da tarde triste. Ela estava sozinha e acreditava poder colaborar de alguma forma. Lembro que tentei convencê-la do contrário.
A sexta-feira de chuva trouxe novos rumos ao destino previsível. Chorando, ligou para algumas amigas anunciando o quanto havia se sensibilizado com a infelicidade dos outros. À noite a encontrei me esperando sentada, distante. Eu estava ainda nos problemas do trabalho. Não entendi os sinais que se apresentavam à minha frente.
Na manhã de sábado, ela pareceu meio tonta, frágil. Disse coisas quase que sem nexo, no meu modo de entender. Eu estava estressado pelas insignificâncias do trabalho. Não conseguia enxergar nada além da profunda depressão em que eu me afundava.
O domingo amanheceu misturado a um sentimento de culpa. Ela levantou-se para ver a missa da manhã. Os ramos acenavam a nova realidade. Fomos ao pronto-socorro. Eu estava entregue a sentimentos confusos de mim mesmo enquanto família. Compreendi tudo o que estava acontecendo. Minha mãe teve um derrame do lado direito. AVC.
De repente, o mundo virou-se ao contrário. Não retornei ao trabalho. Eu estava integrado aos problemas na família. A segunda e a terça-feira tornaram-se dias iguais. A minha mãe colocou-me no eixo. Pude enxergar o seu humor, apesar do lado direito adormecido. Talvez por finalmente eu a ter encontrado novamente e situado, finalmente, a sua figura no grau de relevância afetiva.
A cada minuto aprendo uma nova lição. A cada minuto, uma torcida de recuperação. Não tenho mais a dimensão do que seja a minha vida. Estou imerso num mundo de autodescoberta.
Lembro ter visto a minha mãe com dificuldade de levar uma garfada à boca. Achei estranho e comentei alguma coisa. Ela saiu em silêncio e foi para o quarto.
As notícias ruins caíram no meio da tarde triste. Ela estava sozinha e acreditava poder colaborar de alguma forma. Lembro que tentei convencê-la do contrário.
A sexta-feira de chuva trouxe novos rumos ao destino previsível. Chorando, ligou para algumas amigas anunciando o quanto havia se sensibilizado com a infelicidade dos outros. À noite a encontrei me esperando sentada, distante. Eu estava ainda nos problemas do trabalho. Não entendi os sinais que se apresentavam à minha frente.
Na manhã de sábado, ela pareceu meio tonta, frágil. Disse coisas quase que sem nexo, no meu modo de entender. Eu estava estressado pelas insignificâncias do trabalho. Não conseguia enxergar nada além da profunda depressão em que eu me afundava.
O domingo amanheceu misturado a um sentimento de culpa. Ela levantou-se para ver a missa da manhã. Os ramos acenavam a nova realidade. Fomos ao pronto-socorro. Eu estava entregue a sentimentos confusos de mim mesmo enquanto família. Compreendi tudo o que estava acontecendo. Minha mãe teve um derrame do lado direito. AVC.
De repente, o mundo virou-se ao contrário. Não retornei ao trabalho. Eu estava integrado aos problemas na família. A segunda e a terça-feira tornaram-se dias iguais. A minha mãe colocou-me no eixo. Pude enxergar o seu humor, apesar do lado direito adormecido. Talvez por finalmente eu a ter encontrado novamente e situado, finalmente, a sua figura no grau de relevância afetiva.
A cada minuto aprendo uma nova lição. A cada minuto, uma torcida de recuperação. Não tenho mais a dimensão do que seja a minha vida. Estou imerso num mundo de autodescoberta.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Vivendo e aprendendo
Errar.
Aprendi mais com os meus acertos.
Quando algo dá errado, procuro uma experiência equivalente de bons resultados. E assim mudo a trajetória da vida onde o erro não voltará a acontecer com a mesma relevância que antes. Seria uma espécie de eliminação dos erros através da manutenção do que é realmente válido.
Aprendi mais com os meus acertos.
Quando algo dá errado, procuro uma experiência equivalente de bons resultados. E assim mudo a trajetória da vida onde o erro não voltará a acontecer com a mesma relevância que antes. Seria uma espécie de eliminação dos erros através da manutenção do que é realmente válido.
A liberdade de estar livre
Liberdade. Eu me considero livre sim.
Respeito regras, desenvolvi uma personalidade bem independente tipo não-carente, que precisa da atenção do outro, além de procurar ser honesto, sincero com quem quer que seja - se não estou a fim, digo logo, sem demora, pra ganhar tempo e permitir que a outra parte também tenha seu espaço respeitado.
Liberdade deve passar por aí...Sei que não poderei ter tudo, portanto busco o que há de melhor no que já possuo - sem deixar de sonhar, claro.
Em meu conceito, a liberdade só poderá existir se houver respeito, aceitação, capacidade de aproveitar o que de melhor a vida oferece, encarar os problemas de frente acreditando sempre nas possíveis soluções, sem fantasias, devaneios, culpas.
Respeito regras, desenvolvi uma personalidade bem independente tipo não-carente, que precisa da atenção do outro, além de procurar ser honesto, sincero com quem quer que seja - se não estou a fim, digo logo, sem demora, pra ganhar tempo e permitir que a outra parte também tenha seu espaço respeitado.
Liberdade deve passar por aí...Sei que não poderei ter tudo, portanto busco o que há de melhor no que já possuo - sem deixar de sonhar, claro.
Em meu conceito, a liberdade só poderá existir se houver respeito, aceitação, capacidade de aproveitar o que de melhor a vida oferece, encarar os problemas de frente acreditando sempre nas possíveis soluções, sem fantasias, devaneios, culpas.
Respostas adequadas
Procuro a exatidão das minhas possíveis escolhas, negando a possibilidade do sim e do não, do certo e do errado. Mas o que fazer se podemos crer na força do pensamento tanto quanto acreditamos num destino imutável ou na existência de um Deus que a tudo observa e comanda?
A realidade nada mais é que viver sem pensar em alternativas antes não percebidas, pois as mesmas perguntas escondem respostas diferenciadas.
A realidade nada mais é que viver sem pensar em alternativas antes não percebidas, pois as mesmas perguntas escondem respostas diferenciadas.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Vida nova
Eis que conheci a liberdade.
O vento virou as páginas, o sol adentrou-se numa nova casa.
Os caminhos de repente abriram-se para outras oportunidades antes não imaginadas.
Não existem correntes que nos prendam por muito tempo.
Não existem enganos, palavras vazias, perdas lamentáveis.
Eis que conheci a liberdade.
O vento virou as páginas, o sol adentrou-se numa nova casa.
Os caminhos de repente abriram-se para outras oportunidades antes não imaginadas.
Não existem correntes que nos prendam por muito tempo.
Não existem enganos, palavras vazias, perdas lamentáveis.
Eis que conheci a liberdade.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Destaque do mês
É estranho ver pendurada nas paredes das lojas aquela homenagem ao funcionário do mês.
Sempre escolhem a foto mais fantasmagórica, sinistra. Típica de carteira de identidade. Ou santinho de missa do 7º dia. Não parecem estar prestando honra ao que chamam destaque do mês. Parece mais uma esculhambação, um mês de exposição da foto mais ridícula, mal retocada em programas de computador. Uma atração mensal gratuita, disponível para os clientes e também inimigos que aplaudem o ato tenebroso que, de forma alguma, atende a seu objetivo inicial.
Sempre escolhem a foto mais fantasmagórica, sinistra. Típica de carteira de identidade. Ou santinho de missa do 7º dia. Não parecem estar prestando honra ao que chamam destaque do mês. Parece mais uma esculhambação, um mês de exposição da foto mais ridícula, mal retocada em programas de computador. Uma atração mensal gratuita, disponível para os clientes e também inimigos que aplaudem o ato tenebroso que, de forma alguma, atende a seu objetivo inicial.
Uma mensagem: "Palavras iludem... atitudes provam."
Li esta frase numa página de relacionamentos:
Palavras iludem: talvez a interpretação destas palavras promovam a ilusão.
Quando estamos predispostos a acreditar, a aceitar totalmente o que vem de outra pessoa, tornamo-nos mais vulneráveis a não ver as mentiras que nos são gentilmente oferecidas. Mesmo em palavras.
A lógica se inverte, entramos num estado de súbito êxtase. As palavras ganham um sentido especial não equivalente à realidade manifestada. Vemos exatamente aquilo que escolhemos ver.
Atitudes provam: eis que a consciência alerta que caímos numa cilada. Opa! Não é bem o que eu pensava! Como pude me enganar por tanto tempo?! Puxa, como não vi isto antes?!!!
Cair na real não é fácil. Mas eis a chance de mudar o rumo.
Paradoxo: não são as palavras que iludem e nem são as atitudes que provam. São as nossas projeções que nos enganam. Portanto, é essencial conhecermos as nossas fragilidades, do contrário estaremos sujeitos a esperar que o outro venha a compensar as nossas faltas.
Palavras iludem: talvez a interpretação destas palavras promovam a ilusão.
Quando estamos predispostos a acreditar, a aceitar totalmente o que vem de outra pessoa, tornamo-nos mais vulneráveis a não ver as mentiras que nos são gentilmente oferecidas. Mesmo em palavras.
A lógica se inverte, entramos num estado de súbito êxtase. As palavras ganham um sentido especial não equivalente à realidade manifestada. Vemos exatamente aquilo que escolhemos ver.
Atitudes provam: eis que a consciência alerta que caímos numa cilada. Opa! Não é bem o que eu pensava! Como pude me enganar por tanto tempo?! Puxa, como não vi isto antes?!!!
Cair na real não é fácil. Mas eis a chance de mudar o rumo.
Paradoxo: não são as palavras que iludem e nem são as atitudes que provam. São as nossas projeções que nos enganam. Portanto, é essencial conhecermos as nossas fragilidades, do contrário estaremos sujeitos a esperar que o outro venha a compensar as nossas faltas.
Textos da alma
Escrever sob pressão nos remete a um sentimento quase que paranóico. É sentir-se observado, avaliado, esmagado pelos olhares inquisidores da mesa de avaliação. É o mesmo que estar em presença da bruxa de algodão, estabelecendo um contato direto com os fantasmas que nos assustavam na infância. É ficar com medo de dormir no escuro.
A redação serve-se da inspiração, a que lhe dá alma, originalidade. Somente espontaneamente poderemos fazê-la viva, centrada em sua essência. O processo é antes intuitivo, livre da tensão imposta nos concursos. Trabalhar neste mundo paralelo é impossível quando estamos limitados a horários e julgamentos de terceiros.
A redação serve-se da inspiração, a que lhe dá alma, originalidade. Somente espontaneamente poderemos fazê-la viva, centrada em sua essência. O processo é antes intuitivo, livre da tensão imposta nos concursos. Trabalhar neste mundo paralelo é impossível quando estamos limitados a horários e julgamentos de terceiros.
Fé na vida
Faz uma semana que tudo mudou.
O braço direito voltou a movimentar-se na quinta-feira, enquanto ela fazia o sinal da cruz.
A firmeza nas pernas estão lentamente retornando.
Ela ainda encara toda a situação com um humor indescritível.
O braço direito voltou a movimentar-se na quinta-feira, enquanto ela fazia o sinal da cruz.
A firmeza nas pernas estão lentamente retornando.
Ela ainda encara toda a situação com um humor indescritível.
Depois de amanhã
A consciência no limiar da razão.
Nem sempre o lixo guarda o que não presta.
Hoje estou querendo que o dia de amanhã seja um sopro.
Nem sempre o lixo guarda o que não presta.
Hoje estou querendo que o dia de amanhã seja um sopro.
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