sábado, 15 de agosto de 2009

Cirurgia

O jejum começou no domingo. Às sete horas do dia seguinte, estava em cima de uma maca, cercado por alegres enfermeiras. Atravessamos o corredor rumo a sala de cirurgia. Vi várias luzes no teto branco. Ouvi uma canção do 14 Bis. Lá estava o Dr que, finalmente, retiraria a pedra do meu caminho.
O anestesista fez uma série de perguntas, todas com a mesma resposta: não. De repente, me senti como um boneco de posto de gasolina. Em minha alucinação, Skank cantava "É tanto" misturada a voz de Bob Dylan entoando "I want you"...
Não poderia dormir. Estava parcialmente anestesiado. A enfermeira continuava atenta a pressão. O Dr. providenciava o fim da saga.
Voltei ao quarto jogado na maca. No percurso, tentava acompanhar mentalmente a enfermeira que agora cantava "Sonífera ilha". Em minha cabeça, ainda insistia a voz do Skank e do Bob Dylan.
Passei o resto do dia com uma sonda no pênis.
Matei a fome com soro, café, almoço, lanche.
Às sete horas da noite, a liberdade.
Por dois dias, a urina saiu escura, ora avermelhada, ora amarelada forte, sob efeito de remédios receitados pelo médico.
Sinistro. Misto de preocupação e pressa que tudo terminasse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Herança

O abandono entra em cena como única alternativa para quem fica, mesmo que tivesse por intenção manter tudo em ordem.  É o tal do direito que...